ORÍ – MORADIA DE “NOSSO” DEUS – PARTE II

ORÍ – A fisiologia divina e suas categorias

Orí então descerá e ocupará o seu lugar no Orí do corpo criado, através da chamada “moleira”, abertura no crânio do bebê. A princípio Orí assentar-se-á no cérebro (opolo) daquele corpo, onde comandará Orí Òde (cabeça externa).

ORÍ ÒDE – a cabeça externa caracteriza-se pela cabeça física (crânio, cérebro, sistema nervoso central, olhos, ouvidos, etc) e também pela personalidade e intelecto que resultará da interação daquele corpo com Orí Innú (cabeça interna); a cultura local onde se desenvolverá o indivíduo e o aprendizado que receberá desde o seu nascimento.

Orí òde é, além da cabeça física, a nossa pessoa como nós a conhecemos e como os outros a conhecem. É o mecanismo criado por Orí innú para lidar com o mundo exterior. Orí Òde é o nosso “eu exterior” – consciência.

ORI INÚ – a cabeça “interna” – para alguns o “Eu superior” ou “Eu interno” ou ainda , “Eu verdadeiro” – a nossa essência – alma! A nossa centelha divina! A semente do orixá. É este orì a que nos referimos na vida religiosa, a que na umbanda chamamos de “coroa”. É o que viemos na verdade desenvolver aqui nesta existência. É o mais importante e podemos dizer que é o centro do culto! Orì Inú – nossa verdadeira identidade (inconsciente ou ainda consciência total e divina) e que se esconde atrás de Ori Odê (consciência) e o controla mesmo sem que se dê conta

Quando nascemos orì, por sua natureza, identidade e caminho já possui um orixá (orì- alma/cabeça, xá- força/energia = força da cabeça) que seria um tutor de orì, um anjo-da-guarda, um guia, um mestre, nosso Deus!

Quem residirá em orì, e que poderá fazer isso ou aquilo é porque é da mesma, ou absolutamente semelhante natureza da matéria energética, caso o contrário nunca poderia. Por este prisma orixá é visto como um tutor do ori, tão somente tutor pois o Ori é soberanos em nossas vidas. (3)

Ori afirma um compromisso com seu tutor (Orixá), com o Bàbá Egún (Pai espírito) responsável pelo ìpònrí ancestral terreno que formou o seu corpo material e que zela pelo desenvolvimento da família a que Orí fará parte. Todos os contratos são firmados e/ou reafirmados diante de Olórúm e de Orúnmilá, e à medida que o são o destino se lhe vai fixando.

Ori é quem nos acompanha na viagem dos mares sem retorno, como descrito no Itan de Ògúndá Méjì.

Abaixo de Orí innú reside Elénìnìí (o opositor de Orí), no cerebelo (ipakó), responsável pelo esquecimento de Orí de sua missao, (Seria a razão) !

Ainda existe Ipín jeun – o estômago e o obo ati oko – os órgaos sexuais, que são os outros nós que Orí innú deve superar traduzidos em medo, desejo, ambiçao, vaidade, ciúme, ira, egoísmo, etc. (4)

ü RESUMO

Assim estudamos que a nossa divindade pessoal é o Orí inú (cabeça interna-alma), responsável pelo nosso destino e felicidade; que o nosso Orixá é o tutor espiritual de nosso Orí inú, mas que só poderá ajudar-nos se Orí o permitir; que em nosso Orí innú reside o nosso Odú (destino) e somente através de Orí o Odú pode ser transmutado e assegurando o cumprimento da missão confiada por Olodumaré; que devemos nos resguardar de Elénìnìí, o inimigo de nossa missão e alma – aquele que pode nos trazer sofrimentos.

E, finalmente, que nossa verdadeira essência, que devemos buscar, reside em Orí innú (cabeça interna-alma) e não em nosso Orí òde (cabeça externa-personalidade) que é tão somente o veículo de Orí innú aqui no Aiyé.

ü A INICIAÇÃO E O ORI INÚ

Na iniciação o “sacudìmento” (descarrego ou ebó) é um ritual que retira deste indivíduo todas as energias negativas e nocivas que ele carrega, um ritual de purificaçao de todos os males, assim como pensamentos, maldições, magias e todo o sortilégio de negatividades que foram lançados à este indivíduo antes dele entrar para a iniciação (o renascimento). São rasgadas suas roupas civis representando a rejeição de sua identidade anterior, assim como todos os traços culturais anteriores, para se abrir à nova cultura e identidade aspiradas.

Logo após outros atos, a queda do cabelo simboliza outro passo na desconstrução do indivíduo e consequente construção do novo que deve assumir.

O cabelo simboliza a força do Orì, pois é produzido por ele (orì odé- cabeça externa), portanto é um extrato do axè de Orì, por isso o cabelo é tão importante em magias e encantamentos. Assim como também é símbolo de vaidade e orgulho e ainda representa extratos de personalidade mais íntimo que não puderam ser despojados nos sacudimentos.

A queda do cabelo é um sacro-ofício feito ao Orixà. Um desejo de se despojar definitivamente de todo o passado para se abrir absolutamente puro para o enlace com o seu Orixà.

O cabelo não deve ser despachado no sacudimento, pois representa toda a força do Orì gerada até então, assim como os pensamentos, os sentimentos, os desejos, os vícios, o orgulho, a vaidade e todas as idéias plantadas na cabeça do indivíduo pela antiga cultura até então. Na queda do cabelo, além de se despojar disso tudo para se abrir mais ainda para um nascimento para o culto, o devoto sacrifica tudo isto ao seu Orixà. É mais um ato de entrega total. Por isso é tão importante! Mostra a intensidade da entrega e um desejo excelso de se “casar” puro com o Orixà e ter uma relação sem interferências, uma relação total, assinalando a importância em que ele se devotará ao Orixà.

Yá Ori

 

Créditos: GIL BELLO

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