SACRIFICIOS PARTE IV

PARTE IV

No culto afro mesmo, não utiliza-se apenas o sacrifício de animais como o ÚNICO sacrifício! Existe todos os outros, abnegação, privação, etc…. jejuamos, evitamos utilizar determinadas cores, comer certos alimentos, oferecer “gbáduràs” (rezas), “orikis” (recitaçao de versos divinos), vigílias, comidas secas (sem sacrifício de animais) e então o “ebó-ejé pupà” (sacrifício animal); como pode-se perceber este último é o último recurso, a última apelação e somente o jogo ou o Orixá pode permitir ou não.

Infelizmente algumas casas do culto perderam totalmente o conhecimento dos ritos antigos e executam, realmente, uma verdadeira MATANÇA. Uma chacina sem precedentes em nome de um ritual, o que claramente o culto condena.

Deve ser sacrificado apenas o suficiente, o que baste. O exagero é por conta do homem, e não da divindade. Isto acontece devido ao esquecimento às leis do sacrifício, e da façanha de um culto de homens para os homens pois, infelizmente nesta forma de exercer o culto, Orixá não é suficiente – os egos inflados dos sacerdotes que falam “em nome do Orixá”.

Como todo o sacrifício, existem leis muito rigorosas a serem cumpridas, como ensina a sabedoria antiga, e não é diferente para o sacrifício de animais, ou o que seja! Primeiro há de existir a necessidade prima deste sacrifício; perguntar à divindade se não existiria outra chave. Segundo, no caso de afirmativo, saber exatamente o que deve ser sacrificado e como deve ser sacrificado. Sabendo-se isso, deve-se pedir à divindade que nos guie ao animal certo, que deve ser recolhido com carinho. Devemos nos lembrar que este ser foi designado pela divindade para servir à Deus e redimir o mal de alguém ou de uma comunidade, ele será o mensageiro das boas novas, e merece todo o respeito, carinho e consideração por tal. Ao chegar o momento deve ser banhado com os axés, enfeitado devidamente, e deve-se saber se a divindade o aceita, se é o ser certo. No caso de afirmativo, deve-se saber se o ser aceita ser sacrificado e então entra o preceito da folha, da cabeça e/ou do jogo – O jogo entra sempre!! Uma vez que esteja tudo ok, então é executado o sacrifício exatamente como determina a divindade. Sempre no clima do respeito e agradecimento.

Por fim, tudo saindo como deveria ser, a graça encaminhada, segue-se a festa pelo sucesso do ritual. A carne do animal que não entrar no sacrifício deverá ser consumida, por todos da comunidade em uma reunião, celebração de grande alegria. Alegria porque a Graça está a caminho e Deus mais uma vez nos foi bondoso e fiel, não nos esquecendo e a alma do ser sacrificado também conseguiu cumprir o seu caminho (destino), e agora está advogando por nossa causa tendo se elevado imensamente na ordem Cósmica, tal qual Jesus.

No Awó (culto, ou mistério) africano, todos nós estamos aqui para cumprir um destino em relação à Ordem Cósmica. E não para desfrutarmos a vida de modo egocêntrico, para o próprio gozo dos sentidos. Podemos gozar o que o Orixá e Deus (Olodumaré) nos permite em sua infinita generosidade, mas sem esquecer que estamos em MISSÃO aqui, e que devemos retornar à Deus o mais pronto ao terminá-la, aceitando todos os sacrifícios que consigam nos levar até Ele (como está escrito no Livro de Ifá no Odù Irosun Mejì – Orì X Elenìnì!). Assim como o animal, aceitamos todos os sacrifícios de nossa existência, que não é menos sacrificada.

CONTINUA ………………….

2 comentários sobre “SACRIFICIOS PARTE IV

  1. Como falei com o Sr. tenho um material interessante sobre sacrifício, só que esta como imagem e eu não consigo postar, se for do seu interesse envio para o seu e-mail. Me passe um endereço para que eu possa enviar através do meu e-mail.

    • Quando pensamos em “matar” um animal em sacrifio damos a este ato um sentido de dificuldade e não de oficio sacro, mas, quando fomentamos o mercado frigorifico com consumo desenfreado, não nos damos conta que ali na minha mesa esta um animal morto do qual vou me alimentar, uma coxinha de frango, um churrasquinho de esquina, um lanche de hamburgue; toda esta carne é da mesma origem, a diferença se da quando a carne servida em rituais é oferecida em agradecimento e a carne que ponho em minha mesa ou em um espeto, apenas consumo sem me perguntar da onde veio.

      Sacrifício é a prática de oferecer como alimento a vida de animais, humanos, colheitas e plantações, aos deuses, como acto de propiciação ou culto. O termo é usado também metaforicamente para descrever atos de altruísmo, abnegação e renúncia em favor de outrem.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s