Independente do resultado que as urnas nos trouxerem, há que pensarmos em muitas coisas:

1) Há cerca de 10 anos estamos avisando do projeto de poder – em franco desenvolvimento – da IURD no Brasil. No início, todos duvidavam. Nos últimos 15 anos, o PT, através de sua aliança estratégica com a IURD para combater o sistema Globo – permitiu que esta ‘igreja’ se aparelhasse no Estado. Foi nos governos petistas que a IURD avançou pela África e países parceiros do Brasil, com apoio governamental e conivência do partido. Além, é claro, de neste período, as concessões de rádios e TVs para as igrejas ter tido um aumento exponencial;

 

2) Hoje ninguém mais pode negar que a IURD é um projeto teocrático de poder de proporção mundial. Nós avisamos, mas os partidos que se dizem progressistas estavam (e continuam estar) mais interessados nos currais eleitorais das igrejas que copiaram o modelo IURD do que na disputa conceitual e programática;

 

3) O avanço do fundamentalismo e o estreitamento das pautas políticas rumo à contemporaneidade, em larga medida, se devem à institucionalização das igrejas neopentecostais como parceiras dos partidos ‘de esquerda’ e desses governos. Por certo, que não é preciso falar que essas igrejas jamais deixaram suas práticas fascistas e sempre se mantiveram como amante dos bastiões da extrema-direita;

 

4) As duas últimas eleições no Rio de Janeiro já deveriam ter acendido o sinal de alerta para o perigo desta relação promíscua entre partidos e igrejas visando a ocupação do Estado. É bom lembrar que no segundo turno da eleição a governador em 2014, em que disputaram Pezão (PMDB) e Crivella (PRB), o PSOL – para não sujar as mãos – liberou a base e deu um recado objetivo para nós, do povo de santo: danem-se! Afinal de contas, Daciolo (o neopentecostal do PSOL e que representava o setorial evangélico do partido) já havia sido eleito com os votos bovinos da Igreja;

 

5) Aliás, para além da candidatura do Freixo, não vi nem soube de uma posição institucional do PSOL em relação ao seu setorial evangélico e de como o partido irá se conduzir em relação a esses eleitores – que têm todo direito de se expressarem politicamente, mas que precisa ter um alinhamento político em relação as pautas relativas ao enfrentamento do projeto teocrático em andamento;

 

6) Também não sei como o PSOL, assim como os partidos ditos ‘progressistas’ (PT, PCdoB) irão se comportar diante das pautas que envolvem a sacralização de animais nos terreiros – que, ao que parece, é a menina dos olhos da bancada evangélica em nível nacional;

 

7) Não me lembro do investimento de nenhum desses partidos nas candidaturas do Povo de Santo. Mas, todo mundo sabe que nós – apesar de não termos estrutura financeira para eleger os nossos – sabemos fazer barulho e possuímos legitimidade para o embate contra este projeto de extrema direita que vem se abatendo sobre todos nós;

 

8) O Povo de Santo não lava dinheiro do tráfico nem da milícia, não faz pregação em presídio, não faz proselitismo e sequer é considerado como aliado estratégico nem dos partidos de esquerda e, muito menos, dos partidos de direita. Apenas somos usados quando os convêm. Este uso abusivo das nossas pautas em época eleitoral nos afronta. Há que pensarmos em nossa própria sobrevivência. Nas próximas eleições, daqui há dois anos, não será diferente.

 

Tenho mais uns quinhentos pontos para pensar, mas parei no oito porque estou regida por Ejonile nesses últimos dias. E que continue assim.

 

Benção aos mais velhos e mais novos.

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